Postado no Blog do Menon
A esquerda caminha para uma derrota melancólica, apesar de previsível, na maior cidade do Brasil. Previsível porque apesar da união de forças progressistas (PT, PCdoB, PSB e PDT), Marta nunca foi favorita. A esquerda nunca é favorita em São Paulo. A não ser quando enfrenta Paulo Maluf, como em 1988 e 2000. Perdeu duas vezes para mulheres.
Melancólica porque a candidatura Marta, talvez embalada pelos índices iniciais, jogou na retranca. Ficou "administrando o resultado", como diz um dos jargões do futebol e foi derrubada pela onda Kassab ainda no primeiro turno.
Algo triste, porque Marta é uma mulher forte e combativa. Defende ótimas posições políticas e tem no seu currículo uma administração exemplar e inovadora. Criou o bilhete único, criou os CEUs e modernizou o centro. Triste foi vê-la enquadrada em regras de marketing. Acho que se acabasse o horário eleitoral, a esquerda se daria muito melhor.
O PT, em sua caminhada para o centro, está correndo o risco de se parecer muito com os tucanos. São duas cabeças da social-democracia (se tanto).
E aí, fica fácil para a imprensa golpista escolher o seu lado e influenciar as eleições. O que não foi conseguido nas duas eleições de Lula (goleadas em Serra e Alckmin), conquistou-se agora.
A imprensa pautou o debate. E a sexóloga que sempre defendeu os direitos dos homessexuais foi tachada de homofóbica. Do outro lado, um homem que nunca teve posição sobre nada.
A discussão ficou resumida a "quem fez mais Ceus?". "É melhor carregar na catraca ou fora da catraca?".
O que deveria ter ficado claro é que: só existe bilhete único porque a Marta fez. Só existe eleição direta porque o PT lutou por isso. Só existe CEUs porque a Marta criou.
Dizer assim, cara a cara. Não adianta ficar falando que o homem copia. Isto é muito pouco.
É legar carregar na catraca? É muito mais do que legal. E isto não foi mostrado. Quantas tempo uma pessoa gasta para ir à lotérica? Como seu dia a dia é prejudicado por não carregar na catraca. Quantas vezes alguém teve de descer do ônibus?
O PT não mostrou como é muito melhor do que o DEMO. Como a cidade poderia ter sido melhor se a Marta continuasse.
Mesmo assim, poderia perder. Mas eu não estaria aqui, contando as horas para que tudo acabe rapidamente e eu não precise mais escutar a musiquinha do Kassab.
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Destaques
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Duas cabeças e uma oportunidade desperdiçada
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Eduardo Guimarães: por que Marta
Postado por Eduardo Guimarães no Cidadania.com
Julgo ser meu dever e meu direito de cidadão, concomitantemente com o encerramento da propaganda eleitoral na televisão e no rádio, declarar formalmente em quem votarei para prefeito de minha São Paulo, cidade de meus pais, avós e que abrigou meus bisavós maternos, que imigraram da França, e paternos, que vieram do interior paulista tentar a sorte na capital do Estado que, no começo do século XX, já caminhava para se tornar o mais pujante do país.
Muito embora eu, de vez em quando, refira-me a este Estado e ao seu povo como vítimas da visão de mundo e das ações privilegiadas de uma parcela ínfima de sua população, uma parcela que se apoderou de parte indecentemente grande e desproporcional das riquezas e a usou para dominar corações, mentes e braços, quero declarar minha paixão por esta cidade, que, apesar de seus problemas e dramas imensos, de suas assimetrias sociais dolorosas e tão perniciosas, é a única em que penso em morar até o fim dos meus dias, pois quero morrer onde nasci.
Por amar São Paulo e só querer da eleição de seu próximo prefeito aquilo que todos os paulistanos querem, até os egoístas que vivem aqui em gaiolas douradas, pretendo votar, no próximo domingo, da melhor forma para a cidade inteira.
Como entendo que o melhor para todos os paulistanos é que São Paulo seja mais justa, mais humana, mais solidária com seu mais humilde e fraco cidadão, pois uma cidade que trata a todos com respeito e humanidade é a melhor das cidades, pretendo votar em Marta Suplicy, uma mulher pela qual quero manifestar meu mais profundo respeito e minha grande admiração por sua fibra, por sua tenacidade e coragem de ter se exposto novamente à maledicência, ao preconceito e à intolerância.
Marta, em seus quatro anos à frente da prefeitura paulistana, equilibrou as finanças municipais, finanças que a própria imprensa, que depois negou o que dizia, afirmava que estavam em situação catastrófica depois das passagens de Paulo Maluf e de Celso Pitta pela administração municipal.
Marta inovou em políticas sociais que apoiaram idosos, desempregados, moradores de rua, negros, minorias diversas, e fez o transporte público muito mais humano com o bilhete único e com o enfrentamento corajoso de máfias que controlavam parte significativa do transporte urbano, e, como se não bastasse, pôs fim à grande corrupção que havia na máquina municipal e ainda criou o projeto educacional que mais seria copiado a partir de sua gestão, tendo sido adotado até por seus sucessores, ainda que executado com qualidade inferior, assim como aqueles sucessores fizeram na gestão do transporte público e na dos programas sociais.
Marta não criou taxas abusivas coisa nenhuma. Essa é uma idéia que seus adversários conseguiram vender a grande parte dos paulistanos graças à aliança deles com a grande mídia paulista. Eram taxas irrisórias, que todos podiam pagar para uma cidade economicamente arrasada e que precisava investir, e as taxas que não eram tão irrisórias faziam justiça fiscal, introduzindo a progressividade na cobrança de impostos.
Marta foi injustiçada na campanha eleitoral de 2004, na qual não se elegeu muito mais pelo preconceito que decorreu de seu ato de coragem de romper uma relação matrimonial com um homem bom e respeitado para recomeçar sua vida amorosa com outro, mas da mesma forma como fazem tantos homens que deixam casamentos de décadas para recomeçar suas vidas e que jamais são criticados por isso. Mas ela foi, porque é mulher. E o mais intrigante é que foi criticada talvez mais por mulheres do que por homens, talvez por ser bonita, inteligente e bem sucedida e, assim, despertar inveja.
Enumerei minhas razões para votar em Marta. Fiz isso com serenidade e com espírito público, porque julgo que fazê-lo é meu dever e meu direito de cidadão. E por que, assim, outras pessoas poderão julgar que minhas razões são suficientemente boas para que acompanhem meu voto no próximo domingo.

