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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Estamos muito mal com essa classe média e essa elite paulistana conservadora e predadora!

por Alexandra Peixoto

Pois é, tudo indica que o Kassab vencerá.

Eu fico sem saber o que dizer, o que pensar. Sinto quase um impulso de escrever aqui que, mais uma vez, os pobres, e só eles, daqui de São Paulo, terão um tratamento indigno. Se lascarão, no português das ruas. Continuarão a sofrer na ida e na volta para casa, presos em engarrafamentos infinitos, espremidos nos ônibus, trens e metrôs. Continuarão a esmolar uma vaga numa creche por anos, continuarão a ter um dos piores ensinos públicos do Brasil. Os jovens da periferia continuarão a ser marginalizados, sem cultura, sem lazer, sem uma formação adequada. Suas vidas nada valerão. Tudo isso, todo esse desperdício de potencial humano para satisfazer a um projeto obsessivo e egoísta de poder. O projeto que quer eleger, em 2010 José Serra para presidente do Brasil. Custe o que custar, doa a quem doer. E atropelarão, ou tentarão, quem vier pela frente. Com o exército midático todo trabalhando numa frente de dar arrepios.

Porém, vendo que a classe média paulistana é a mais conservadora do país e esta se recusa a enxergar no Kassab uma verdadeira marionete comandada por Serra, vendo que essa mesma elite deseja o pior para as classes menos favorecidas e constatando, ainda, que estes mesmos eleitores conservadores continuam a acreditar na Folha, no Estadão e na Veja como baluartes da competência jornalística, não me resta mais nada a não ser desejar que se arrependam muito, amargamente, dolorosamente por essa escolha grotesca. Porque sua falsa sensação de segurança jamais ser tornará segurança real enquanto as massas estiverem espoliadas de lazer, cultura, educação, oportunidades, saúde, moradias decentes. Porque, por mais caro que sejam os carros de suas garagens, eles sempre serão alvos de roubos e assaltos enquanto existirem pobres e oprimidos, à margem da sociedade. Porque, por mais veloz e potente que sejam seus gigantescos carros, sua velocidade média jamais passará do 14 km/h. Porque, com tantos carros, o ar que respiramos sempre será o mesmo para todos, isto é, o pior possível (isso sim é democracia: não dá pra separar o pior ar e mandar esse ar para a periferia, ufa!).

Essa classe média e essa elite conservadora querem todos os privilégios para si, não soltam o osso por nada, se recusam a partilhar de sua riqueza, nem que seja através de um voto progressista. Não, preferem votar num partido que foi o sustentáculo da ditadura, partido esse que precisa, para não morrer, mudar de sigla a todo momento, na esperança de que a memória curta dos brasileiros os auxiliem na conquista do poder.

A mim não me importa se Kassab é gay. Me importa se ele cria cargos para empregar seu companheiro. Me importa e me incomoda o nepotismo. Me incomoda ter visto ele vetar tantos projetos importantes e agora vir dizer que vai reapresentar os mesmos projetos. Me incomoda a educação pública ser uma verdadeira vergonha, me incomoda os postos de saúde apinhados de gente, sendo tratados como bichos. Aliás, aqui em São Paulo, os bichos são infinitamente melhor tratados do que as pessoas.

Me incomoda muitíssimo se fazer economia às custas da qualidade do ensino público, do achatamento dos salários de professores e policiais. Tudo isso para fazer caixa para o projeto político e econômico de José Serra.

A consistência política de Kassab é nenhuma, sua popularidade vem exclusivaemente da competência de seus marqueteiros em maquiar um candidato inexpressível e torná-lo palatável aos olhos dos cidadãos. Seu compromisso é e seguirá sendo o de servir às elites e ao seu protetor, José Serra. Só que, para desespero de todos os que se engajarem nesse projeto político, repito uma frase do Paulo Henrique Amorim: é mais fácil o Vesgo, do Pânico, se eleger presidente do que o vampiro do Serra. Mesmo com a blindagem da Globo, mesmo com o Serra ditando a pauta dos jornais, mesmo sem "caos aéreo paulistano" ou sem "caos na segurança pública paulistana" (afinal todas as crises e todo o caos é sempre federal, nunca do Estado de São Paulo, né?). Não adianta não publicar que o PCC continua a existir, não adianta maquiar os dados dos homicídios, não adianta manipular a mídia. Serra jamais será presidente do Brasil.
Porque nossa sociedade está farta desse elite predadora. Está farta desses tucanos incompetentes, autoritários e corruptos.

Alguém aqui se lembra do caso Alston? E do buraco do metrô? E do PCC? E da Eloá? E da desgraça maior que é a escola pública de SP? E da higienização social onde os pobres são tratados pior que lixo? Alguém sabe o que pensa José Serra?

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Justiça eleitoral: pesos e medidas

Postado em Futepoca

Nas eleições de 2004, em Mauá, minha cidade natal e domicílio eleitoral, o candidato petista Márcio Chaves teve sua candidatura cassada pela justiça eleitoral. O processo começou com uma representação apresentada pelo vereador Manoel Lopes, então no PFL, que viria a se tornar DEM, por uso da máquina administrativa municipal para fazer campanha. O crime foi a exposição Túnel do Tempo, criada pela gestão de Oswaldo Dias (PT, então em seu segundo mandato) para comemorar os 50 anos de emancipação da cidade, comemorados naquele ano.

Marcio venceu o primeiro turno, com 91.910 votos (45%) contra 79.584 votos (39%) do segundo colocado Leonel Damo, do PV. O candidato verde é um tipo de Paulo Maluf mauaense. Foi prefeito na cidade duas vezes, fez um monte de obras do tipo asfalto, prédios públicos, essas coisas de empreiteiras, ganhou uma penca de dinheiro. Tem esquemas com os principais empresários, como o famigerado Baltazar, proprietário das empresas de ônibus. É dono de uma casa que é uma espécie de sítio num bairro central da cidade, ocupando uns dois ou três quarteirões murados. Hoje, como em 2004, é visto como ultrapassado e corrupto e enfrenta uma rejeição enorme. Enfim, o petista tinha boas chances de vencer a disputa no segundo turno, apesar de a disputa estar acirrada.

Mas a juíza eleitoral Ida Inês Del Cid aceitou o pedido e cassou Marcio. Não satisfeita, poucos dias depois da primeira decisão, proclamou Damo eleito. A decisão da juíza mostrar-se-ia acertada, mas um pouco apressada: recursos petistas ao TRE e TSE prolongaram a indefinição sobre as eleições por mais ou menos um ano, até que Damo fosse oficialmente empossado (nesse período, o então presidente da Câmara, Diniz Lopes – irmão mais novo do Manoel que fez a representação – governou a cidade interinamente, aumentou os salários dos servidores e formou uma base de eleitores que lhe rendeu 17% dos votos em 2008, quando se candidatou a prefeito).

Eu me lembro de passar pela malfadada exposição Túnel do Tempo. Era uma espécie de tenda em forma de, bem, túnel, com imagens históricas, alguns textos, coisa e tal, colocada no centro da cidade. Não vi nada demais e estranhei quando veio a notícia da cassação com base naquilo. Depois me explicaram que fazia parte da exposição um vídeo que tinha menções positivas a Marcio Chaves, que era secretário de Saúde na administração Dias. Segundo matéria que resgatei do Terra: “De acordo com a decisão, a exposição foi realizada fora do prazo legal de três meses que antecedem as eleições. Pires teria infringido o Artigo 73 da Lei Eleitoral, que caracteriza o ato de propaganda institucional proibida.”

Pois bem. A justiça eleitoral considerou justa a cassação da candidatura de Marcio Chaves por conta de um vídeo em uma exposição realizada por alguns dias no centro da cidade, o que provavelmente deve estar certo. Mas cabem algumas ponderações. Mauá não é São Paulo, mas é uma cidade grande, com mais de 200 mil eleitores. O tal vídeo poderia ter algum efeito, mas não creio que fosse determinante. Tanto que os jornais da região deram (me lembro bem) a foto de Damo sendo prematuramente empossado pela juíza, mas não fiquei sabendo de nenhuma repercussão ao tal do vídeo antes da decisão da justiça.

Agora, a mesma justiça aprecia o pedido de cassação da candidatura Kassab. Todo mundo no estado de São Paulo sabe qual foi o fato que levou ao pedido, o tal do checão. E todo mundo sabe porque a foto do ato apareceu na capa dos dois maiores jornais do estado e do país. E Kassab não é secretário municipal, é o próprio prefeito. E apareceu do lado do governador do estado, seu principal apoiador e padrinho político (atual, antes ele teve outros).

E a decisão (tanãm!) é uma multa de R$ 5.320,50. A diferença de pesos e medidas sempre me impressiona.

PS: Para quem tiver paciência, veja aqui um vídeo que demonstra o alto nível da argumentação contra os petistas na cidade.

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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Eleições 2008: Sampa

Na Prática a Teoria é Outra

A impressão que se tem é que em São Paulo não há segundo turno. A escorregada da Marta na propaganda, somada a um cerco de mídia impressionante (todas as TVs, todos os Jornais com Kassab - na verdade, com Serra), praticamente cancelaram a primeira semana de campanha. A campanha parece ter começado agora, mas a diferença é muito, muito grande.

E tem uma coisa que eu não entendo: não vi praticamente nenhum gesto para atrair eleitores tucanos.

Talvez essa eleição fosse invencível, com duas facções representando 60% do eleitorado disputando do outro lado. Mas a diferença está grande demais.

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Só multa: "Justiça" eleitoral premia crimes

Postado no Esquerdopata

O juiz Marco Antonio Martins Vargas decidiu nesta quinta-feira (23) aplicar multa de R$ 5.320,50 contra o candidato à reeleição em São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), por evento de repasse de investimentos ao metrô paulistano. Ele julgou parcialmente procedente ação em que Marta Suplicy (PT) pede a impugnação da candidatura de Kassab.

R$5.320,50 é menos do que o Kassab gasta por hora de campanha.

Essa decisão significa "Pode fazer o que quiser, Serra, que a gente garante."

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MP dá parecer favorável à cassação da candidatura Kassab pelo cheque dado ao metrô

Postado no Futepoca

É claro que vão fazer de tudo pra não dar em nada, mas não custa registrar: o promotor eleitoral Eduardo Rheingantz apresentou parecer favorável à ação em que Marta Suplicy (PT) pede a impugnação da candidatura de Gilberto Kassab (DEM), com quem disputa a Prefeitura de São Paulo. Em solenidade na quarta-feira passada, dia 15, o atual prefeito repassou R$ 198 milhões ao governo do Estado para investimentos em obras do metrô. No ato, em que recebeu uma réplica de um cheque de 1 metro e meio das mãos de Kassab, o governador José Serra (PSDB) exaltou a parceria com o prefeito. O parecer do procurador é levado em conta pelo juiz eleitoral no momento de proferir a decisão final no processo. A representação ainda será julgada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) da capital paulista e Kassab só tem a candidatura cassada caso a decisão seja confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Pergunta que não quer calar: por que, em vez de dar dinheiro ao metrô, a Prefeitura de São Paulo não faz o dever de casa e resolve os problemas do trânsito que são de sua própria alçada?

O TRE deve julgar o pedido nos próximos dias. O TSE anunciou que vai acelerar o julgamento dos recursos de impugnação de candidaturas para que não haja atraso até a posse dos eleitos. A representação foi protocolada no último dia 17 por Marta, que acusa - corretamente - Kassab de utilizar a máquina na campanha à reeleição. A foto com Serra e o cheque foi veiculada no site do candidato. "Com efeito, os representados - especialmente o presidente do Metrô e o candidato Kassab, que são agentes públicos - usaram bens públicos móveis e imóveis para fins eleitorais", diz o procurador, no parecer. "De fato, fosse uma mera cerimônia administrativa de repasse de recursos, -como sustentam os representados -não precisava ser um espetáculo, que contou inclusive com artifícios visuais", completou o procurador, que defende que a representação deve ser julgada procedente.

Cinicamente, a assessoria do candidato do DEM alega que a cerimônia foi realizada respeitando-se a legislação eleitoral. A mídia finge que acredita e todo mundo fica feliz. Ah, se fosse a Marta a fazer um negócio desses...

Kassab cassado com checão do Metrô colado em Serra

Postado por Afinsophia

As eleições de São Paulo, assim como as do Rio de Janeiro, sempre tiveram uma importância para os nortistas. No caso do Rio, levando-se em conta alguns amazoniquins metidos a janotas e intelectuais, por exemplo, no seu preconceito, considerando atavismo o fato de serem cabocos (sem “l”), caboquinhos, cabocões, iam passar duas semanas em Copacabana (ninguém nunca chegou dizendo que havia ido para a favela da Rocinha) e, como dizia Jackson do Pandeiro, voltavam falando Carioca. No caso de Sumpa, mesmo tendo diminuído governo Lula um pouco a dependência, principalmente econômica, mas também de hábitos, gostos, subjetividades do Norte e Nordeste ao Sudeste, ainda é por lá que circula a grande maior parte do PIB nacional. Então, é por lá que ainda são, em certa medida, ditadas as políticas econômicas para o restante do país. Manausianamente falando, devido à frágil falácia do Modelo Zona Franca de Manaus, sempre se cogita uma permanente tentativa de terminar/despotencializar a ZFM. Às vezes ocorre de um produto sair de Manaus somente para ser finalizado em São Paulo, voltando duas/três vezes mais caro. Acrescente-se que SP tem a maior densidade eleitoral do país e, por isso, dependendo de quem for eleito, pode ajudar na democratização das políticas econômicas ou, ao contrário, instituir de vez uma ditadura macroeconômica. Ausência de política e de economia, o que é ruim para São Paulo, São Luís, Manaus…

MINISTÉRIO PÚBLICO FAVORÁVEL À KASSABÇÃO

Aconteceu que a campanha de Marta Suplicy (PT) entrou, no dia 16 deste mês, com um pedido de cassação a Gilberto Kassab (DEM-PFL), acusando-o de ter, no dia anterior, usado a máquina pública em benefício próprio e eleitoreiro, ao ter pousado, junto ao governador José Serra (PSDB) com um checão do investimento da Prefeitura de SP nas obras do Metrô, que foi documentado em fotografias disponibilizadas no próprio site da campanha de Kassab. Foram pedidas também multas ao atual prefeito e candidato à reeleição e ao presidente do Metrô, José Jorge Fagali.

Ontem, o promotor eleitoral Eduardo Rheingantz, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, emitiu parecer favorável ao pedido de cassação: “A utilização do espaço público na campanha do candidato remete à conduta vedada”. O parecer do Ministério Público será anexado ao processo corrente na Justiça Eleitoral. Segundo Rheingantz, a ação poderá ser julgada hoje.

Se a Justiça Eleitoral confirmar a kassabção, não será apenas um grande exemplo para o restante do país para reduzir a histórica corrupção eleitoral do país, mas, principalmente, será a afirmação democrática de que os tempos são outros, que não existe privilegiados acima da lei, utilizando-a a seu corruptível prazer, enquanto a dor vai para a maioria da população, neste caso, não só de São Paulo, mas de Ananindeua, Rio Branco, São Paulo de Olivença, Iranduba, Lago do Calado, Vai-Quem-Quer…

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Duas cabeças e uma oportunidade desperdiçada

Postado no Blog do Menon

A esquerda caminha para uma derrota melancólica, apesar de previsível, na maior cidade do Brasil. Previsível porque apesar da união de forças progressistas (PT, PCdoB, PSB e PDT), Marta nunca foi favorita. A esquerda nunca é favorita em São Paulo. A não ser quando enfrenta Paulo Maluf, como em 1988 e 2000. Perdeu duas vezes para mulheres.

Melancólica porque a candidatura Marta, talvez embalada pelos índices iniciais, jogou na retranca. Ficou "administrando o resultado", como diz um dos jargões do futebol e foi derrubada pela onda Kassab ainda no primeiro turno.

Algo triste, porque Marta é uma mulher forte e combativa. Defende ótimas posições políticas e tem no seu currículo uma administração exemplar e inovadora. Criou o bilhete único, criou os CEUs e modernizou o centro. Triste foi vê-la enquadrada em regras de marketing. Acho que se acabasse o horário eleitoral, a esquerda se daria muito melhor.

O PT, em sua caminhada para o centro, está correndo o risco de se parecer muito com os tucanos. São duas cabeças da social-democracia (se tanto). E aí, fica fácil para a imprensa golpista escolher o seu lado e influenciar as eleições. O que não foi conseguido nas duas eleições de Lula (goleadas em Serra e Alckmin), conquistou-se agora.

A imprensa pautou o debate. E a sexóloga que sempre defendeu os direitos dos homessexuais foi tachada de homofóbica. Do outro lado, um homem que nunca teve posição sobre nada.

A discussão ficou resumida a "quem fez mais Ceus?". "É melhor carregar na catraca ou fora da catraca?".

O que deveria ter ficado claro é que: só existe bilhete único porque a Marta fez. Só existe eleição direta porque o PT lutou por isso. Só existe CEUs porque a Marta criou.

Dizer assim, cara a cara. Não adianta ficar falando que o homem copia. Isto é muito pouco.

É legar carregar na catraca? É muito mais do que legal. E isto não foi mostrado. Quantas tempo uma pessoa gasta para ir à lotérica? Como seu dia a dia é prejudicado por não carregar na catraca. Quantas vezes alguém teve de descer do ônibus?

O PT não mostrou como é muito melhor do que o DEMO. Como a cidade poderia ter sido melhor se a Marta continuasse.

Mesmo assim, poderia perder. Mas eu não estaria aqui, contando as horas para que tudo acabe rapidamente e eu não precise mais escutar a musiquinha do Kassab.

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Kassab, um produto do agitprop da mídia corporativa

Publicado no Blog do Mello.

Leia esta reportagem sobre Kassab, de março deste ano, publicada no G1, Portal de notícias das Organizações Globo:



Datafolha: paulistanos dão nota 3,9 para Kassab

Segundo pesquisa, prefeito tem 42% de avaliação 'ruim' ou 'péssimo'.
Para 15%, gestão é boa ou ótima. Índice é semelhante ao de Celso Pitta.

A gestão do prefeito Gilberto Kassab (PFL) em São Paulo é considerada ruim ou péssima por 42% dos paulistanos, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha nos dias 19 e 20 de março, com margem de erro de três pontos para mais ou para menos, e divulgada nesta segunda-feira (26). De acordo com o instituto, o índice de rejeição anterior era de 33% - na pesquisa, foram ouvidas 1.092 pessoas com mais de 16 anos.

Com seus 42% de rejeição, Kassab, que completa 1 ano de mandato no sábado, tem o mesmo índice que o ex-prefeito Celso Pitta (1997-2000) após um ano de gestão. Pitta saiu com 81% de rejeição. [a reportagem completa está aqui]


A pesquisa do Datafolha, que dava a Kassab a mesma péssima avaliação de Celso Pitta, completou sete meses há três dias.

O que mudou de lá pra cá? Kassab fez durante esse período o que não havia feito antes?

O que aconteceu foi a mais articulada estratégia de propaganda política dos últimos tempos, e que vou chamar aqui de agitprop da mídia corporativa, porque a agitação ocorreu apenas na mídia e teve como objetivo alienar, silenciar e desmobilizar as ruas.

O que definiu a provável eleição de Kassab (e é provável, porque a eleição é apenas no domingo, e é necessário conquistar votos para Marta até as cinco da tarde desse dia) foi o comportamento da mídia corporativa.

Num primeiro momento, congelaram Marta (que tinha sua candidatura ignorada, e, quando não ignorada, criticada), enquanto se dedicavam a desconstruir Alckmin. O candidato Chuchu, que nas eleições presidenciais há dois anos só tinha qualidades, era um exemplo de gestão etc., passou a ser um político medíocre, caipira, cheio de ambições pessoais, incapaz de ceder em nome de um objetivo maior – a estratégia de levar Serra ao Planalto em 2010.

Ultrapassado Alckmin, chegou a vez de Marta. A campanha contra Marta e a favor de Kassab (nunca esquecer que Kassab é Serra) foi e é tão intensa, que nem os gravíssimos fatos das últimas semanas (enfrentamento das polícias em frente ao Palácio Bandeirantes e a desastrada ação da polícia de Serra no seqüestro de Santo André) conseguiram tirar um pontinho do candidato demo-tucano, de acordo com as pesquisas.

Se for confirmada nas urnas a vitória de Kassab, os adversários de Serra temos que começar a trabalhar já, de olho em 2010, para enfrentar o agitprop da mídia corporativa. Ou o governo vai parar nas mãos deles.

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Por que AGORA sou Marta

Postado no Com Fel e Limão

Declarar o voto publicamente tem suas implicações. Uma delas é ter de justificá-lo. No primeiro turno, votei Renato Reichmann, e justifiquei aqui. Agora vou de MARTA. Por várias diferenças técnicas (bem ao gosto do PSDB) e uma política. Talvez a política seja a que mais me impulsiona, mas as técnicas são as seguintes, ponto a ponto, e "comparando gestões":


1 - EDUCAÇÃO: Marta "criou" os CEUs (a idéia é do saudoso Brizola, ressalte-se). Muito criticados, à época, conversinha de "faraônico" e tal. A verdade é uma só: é um dos projetos de maior impacto socio-educativo junto às áreas onde foram criados. Dão aos moradores do entorno uma sensação de INCLUSÃO numa cidade altamente excludente como SP. O cara trabalha no Club Athletico Paulistano de faxineiro e, perto de sua casa, vê um CEU e não baba mais pensando na piscina do bacana. Serra não queria os CEUs, Kassab foi FORÇADO pela população (e pelo orçamento) a não esquecer a idéia. A distribuição gratuita de uniformes e material escolar foi iniciada na gestão Marta. O transporte escolar gratuito foi outra grande iniciativa da ex-prefeita. Veja que NENHUMA dessas ações foi descontinuada por Kassab, mas algumas ações adjacentes a estas foram desvirtuadas: as atividades culturais dos CEUs foram reduzidas/pioradas, o "Vai-e-volta" virou "TEG" e seu raio de atuação foi diminuído. Os uniformes foram distribuídos atabalhoadamente. O "Choque de gestão" explica muito sobre isso, mas não vou me alongar. Vejam vocês mesmos.

2 - SAÚDE: nesse ponto, os dois foram mal. Mas Marta foi menos pior, uma vez que pegou o sistema DESTRUÍDO por Maluf/Pitta. Dos quatro anos que governou, passou três "arrumando a casa". Kassab, agora, nada de braçada no trampo da Marta. Lamentável o desmonte do Programa de Saúde da Família pelo "Chucky", direcionando os recursos da Saúde para a construção das tais AMAs (muitas delas são antigas UBS disfarçadas). No ano passado, utilizei os serviços de uma UBS, e vi, (em 2007!), prontuários preenchidos à mão pelos médicos. Um hemograma demorou QUINZE dias para ficar pronto. Mas o cheiro era de "tinta nova" nos corredores.

3 - MOBILIDADE URBANA (tucanaram o transporte!): Aí, meu camarada, não tem pra ninguém: Marta GANHA LONGE em qualquer aspecto que se olhe a questão. Quem fala é um cara que passou os últimos seis anos como taxista na cidade. Nunca imaginei que alguém conseguisse trabalhar com a máfia dos transportes em SP e dar um jeito naquela zona. Peruas e táxis clandestinos infestavam a cidade; ônibus velhos, clandestinos e inseguros circulavam livremente. A mulher conversou até com o PCC (!) e implantou bilhete único e as cooperativas (Microônibus). Ah, MUITO importante: José Serra, Alckmin e cia. bela BOICOTARAM o bilhete único, segurando até os 44 do segundo tempo sua integração com Metrô e CPTM, alegando absurdas questões técnicas e financeiras. Quando ganharam a a eleição, liberaram NA HORA. Lembram disso?

Kassab e seus irmãos, CONSULTORES DO SINDICATO DAS EMPRESAS DE ÔNIBUS reduziram as partidas dos coletivos, impediram a recarga na catraca alegando "fraude" e não construíram os corredores previstos, por exemplo, nas avenidas Braz Leme (os bacanas da região não queriam) e Brasil (os bacanas da região também não queriam). Os "túneis que acabam em semáforos" eram necessários, e só quem já ficou preso vinte minutos na confluência RebouçasxFaria Lima pode dizer, mas foram construídos na direção errada (os buracos eram pra serem feitos NA FARIA LIMA, não na Rebouças). E a maior "obra viária" do Kassab – a "ponte chiquérrima", foi UM ERRO DOS DOIS: Marta começou, ele terminou. Veja o link e refresque a memória.

4 - OCUPAÇÃO:
Marta, depois de muita luta (e concessões absurdas, diga-se) aprovou um Plano Diretor para a cidade. Isso é um grande avanço para colocar um pouco de ordem nessa bagunça. Marta tem ao seu lado pessoas mais competentes pra tratar a questão, enquanto Kassab é mui amigo de especuladores imobiliários do tipo Cyrella, Chap-Chap e quejandos. Enquanto Marta pensa, ao urbanizar a favela, na condição social do morador (vide o Parque do Gato), Kassab adota um "jeito Maluf de ser", achando que é só construir o prédio e colocar as pessoas dentro. Veja o estado dos Cingapura. Veja como era o Parque do Gato e como está agora, depois que a assistência social colocada no empreendimento foi defenestrada (gasto inútil, segundo eles). Muito antes de ganhar a chave da sua nova casa, o morador tem de aprender a viver nesse novo cenário. Senão vira uma favela em formato de edifício.

E, por último, mas não menos importante, a questão POLÍTICA: votar em Kassab significa votar em JOSÉ SERRA. Kassab é um zé-ninguém político, tanto é que as pessoas, para justificarem seus votos kassabistas, não falam a favor dele, falam CONTRA MARTA. Só que o perigo verdadeiro é avalizar Serra, que governa SP em companhia das aves bicudas há um século e o maior estado do Brasil é isso que vemos por aqui. E "as aves que cagam enquanto voam" estão voando para o planalto. VADE RETRO!

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Desmistificar o engano Kassab: missão de todos que lutam por uma cidade democrática

Postado em Nas Retinas.


Em 2005 e 2006, diante das matérias absurdas e fantásticas da revista Veja (o verdadeiro Almanaque Abril) sobre o presidente Lula e a campanha eleitoral, houve uma reação intensa de uma parcela do público na Internet para reduzir o número de assinantes da revista. Eles sentiram o baque. Recentemente começaram até a vender filmes com a revista, utilizando uma tática de marketing baixa para ampliar a presença nas bancas.

Com Kassab pode ser a mesma coisa. É preciso desmistificar para os cidadãos de São Paulo a peça de marketing que é Kassab, um político construído pela imprensa paulistana para consolidar o poder político de José Serra e sua candidatura para 2010.

Kassab está sendo construído pela manipulação de imprensa, que produz pautas favoráveis ao canditado em jornais, rádios e TVs para driblar a lei eleitoral, que não verifica este tipo de prática que influencia o eleitorado. A mídia paulistana trabalha, como sempre, na brecha da Lei.

Entenda como isso acontece. Para beneficiar Kassab, a imprensa paulistana distribui pautas de serviços públicos, que se refiram às atuais ações da prefeitura, para levar ao eleitor um aspecto de boa administração generalizada, competente e responsável. E isso influencia o boca a boca nas ruas. As TVs conseguem ter um impacto maior.

O Observatório Brasileiro de Mídia constatou essa tendência recentemente. Veja trecho do relatório: “A candidatura da ex-prefeita Marta Suplicy foi noticiada em menor volume do que a dos seus dois principais oponentes. A candidata do PT, embora tivesse o apoio do presidente Lula e melhor posição nas pesquisas de intenção de voto, teve essas situações secundarizadas no noticiário que privilegiou a polarização entre as candidaturas do DEM e PSDB e esvaziou o noticiário da petista. Enquanto o candidato do DEM teve 65 reportagens que noticiaram o apoio de lideranças tucanas, a petista teve 21 reportagens sobre o apoio do presidente, de ministros e lideranças políticas importantes como a deputada Luíza Erundina”.

Por isso, cabe a todos nós, mesmo que as conversas sejam difíceis, explicar para os que pretendem dar seu voto a Kassab que tudo não passa de uma ilusão para transformar São Paulo em curral eleitoral do PFL (DEM), com o intuito de consolidar o projeto político de Serra. Lembrem-se que o PFL foi banido em quase todas as capitais, mantendo o poder somente em Brasília com o fraudador do painel do Senado, o governador Arruda. A tentativa de se manter no comando de São Paulo se justifica pela sobrevivência de um partido. Se perder São Paulo, o PFL (DEM) está fadado a ser esquecido. Temos que trabalhar para isso, pelo bem do país e dos cidadãos mais humildes.

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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

"Cadê o prefeito?", quer saber o programa da Marta

Na edição desta tarde do programa de TV da Marta no horário eleitoral gratuito, a pergunta é: "Cadê o prefeito?"

A montagem parte do fato de que candidato do DEM prometeu, no debate da Record, visitar o CEU Vila Formosa na terça-feira, 21, mas não foi. A partir daí, enumera as contradições entre o candidato que diz (pela metade) e o prefeito que (não) faz. Isso vale para corredores e tarifa de ônibus, falta de prioridade para os CEUs, sua participação do governo Celso Pitta e seu apoio a Paulo Maluf.

Vale assistir.



Para ver na página da Marta na internet, clique aqui.

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Serra/Kassab e os corredores

Texto publicado no Futepoca.

Morei por 26,5 dos meus quase 27 anos no Campo Limpo, bairro da Zona Sul da Capital. Por andar de ônibus desde pequena, se tem uma coisa que eu conheço em São Paulo é o sistema de ônibus. Minha vida pode ser resumida assim:

escola em Santo Amaro = 10 quilômetros = 1h30 no ônibus, em pé.
cursinho na Paulista = 20 quilômetros = 2h no ônibus, em pé
faculdade no Butantã = 13 quilômetros = vontade louca de ter um carro para gastar menos com gasolina do que com passagem

Além disso, tinha o transporte clandestino. Quantas e quantas vezes tive que pegar uma kombi caindo aos pedaços e sentar atrás do banco (ou ficar em pé numa postura de corcunda) para poder chegar a tempo onde precisava?

Vida fácil, né?

Quando a Marta assumiu, as coisas foram mudando. No final do mandato dela, andar de ônibus era outra coisa.

No meu caminho, ela construiu o corredor de ônibus da Francisco Morato/Rebouças/Consolação. Isso, somado ao Bilhete Único, foi o que bastou para a mudança. Os trajetos pela Francisco Morato passaram a demorar muito menos. Até aos domingos, quando não havia trânsito, o ônibus chegava mais cedo que antes.

Passei a acompanhar de perto os problemas dos transportes logo depois de Kassab assumir a Prefeitura de São Paulo, assumindo a vaga deixada pelo Serra. Era claro que os corredores estavam sendo deixados de lado. Descobri, por exemplo, que há pouco menos de dois anos as duas horas do Bilhete Único não eram mais suficientes para alguém que pegava ônibus no extremo da Zona Sul fazer uma baldeação no Centro.

Mas o pior corredor entre todos que estavam em funcionamento era mesmo o da Francisco Morato. O asfalto ficava meses todo esburacado, só recebia vez por outra um tapa-buraco, que não resolvia o problema. Além disso, os ônibus intermunicipais, que servem os moradores de Embu, Itapecerica da Serra e Taboão da Serra, deixaram de usar a avenida paralela e entraram no corredor. Como dois corpos ainda não conseguem ocupar o mesmo lugar no espaço, o resultado foi trânsito no corredor. Todo o tempo de viagem que havia diminuído voltou a aumentar, sem que uma explicação plausível fosse dada para isso. Além disso, o plano de transportes da gestão, que previa a construção de vários terminais para diminuir o número de coletivos no Centro, foi abandonado. E nada foi colocado no lugar.

O único corredor construído pela gestão Serra/Kassab foi o Expresso Tiradentes. E só porque quiseram fazer algo com as ruínas do Fura-Fila deixadas pelo Pitta.

De resto, a única coisa que a Prefeitura fez nos últimos quatro anos foi aumentar a passagem de ônibus sem necessidade antes da eleição, para agora fazer um populismo básico, e obrigar os empresários a comprar novos ônibus. Isso não me parece um plano. Como a diminuição do trânsito em São Paulo passa necessariamente pela ordenação do sistema de ônibus (que colocaria os veículos no lugar certo e mais gente dentro do ônibus), acho que vamos viver nesse inferno por muito tempo, se Kassab se reeleger. Afinal, em suas propostas está prevista a aplicação de R$ 0 (isso, zero), nos corredores.

Ah, sim, Kassab "dá" dinheiro para metrô. Ele não conseguiu explicar ainda o motivo disso, já que sua responsabilidade são os ônibus, que não estão bem. Mas ok, deve ser porque ninguém perguntou.

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Leitor sugere

Waldir Barreto, do Capão Redondo (Zona Sul) manda duas sugestões para a campanha da Marta

Marta, sua campanha deveria focar mais no fato de o partido do Kassab ser a antiga Arena, dos porões escuros do berço da ditadura. O que você acha de criar um bordão do tipo "o bem vai vencer o DEM" para cair na boca do povo?
Você deveria também perguntar ao Kassab como ele vai fazer o que promete, porque ele diz que vai fazer mas você não questiona. No caso das AMAs, por esxemplo, sua equipe poderia mostrar, no Capão, onde moro, que ele pegou um pronto-socorro que ficava na avenida, de visilidade, e transformou na AMA.

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terça-feira, 21 de outubro de 2008

Bronca do ombusdman da Folha expõe o 'trabalho sujo' da mídia nas eleições paulistanas

Postado no Futepoca

No boteco, sempre comento que o "fenômeno" Gilberto Kassab, que superou Marta Suplicy no 1º turno na cidade de São Paulo, não foi nenhum fenômeno para mim. O fato de ele ter começado a campanha tão atrás da candidata petista só me fez desconfiar mais ainda das pesquisas - que davam como certa a vitória petista, mesmo que por um ou dois pontos. Furo n'água. Sempre achei que Kassab disputaria de igual para igual com quem quer que fosse no segundo turno. E não digo isso considerando apenas a fritura pública de Alckmin pelo próprio PSDB (ou melhor, pelo José Serra). Pensem comigo: além de nunca ter disputado uma eleição sequer - e, conseqüentemente, nunca ter "apanhado" de fato como Marta, Geraldo Alckmin e Paulo Maluf já "apanharam" na vida -, Kassab tem a máquina municipal e estadual a seu favor e, vantagem das vantagens em qualquer disputa eleitoral, a mídia todinha ao seu lado.

Prova disso é que, na edição do último domingo da Folha de S.Paulo, o próprio ombudsman do jornal, Carlos Eduardo Lins da Silva, criticou a berrante diferença de tratamento para os dois candidatos neste 2º turno. "Marta Suplicy recebeu nestes cinco dias uma carga de matérias negativas absolutamente desproporcional em relação a seu adversário", disparou Silva, sem rodeios. "Por exemplo, ela foi alvo de oito textos opinativos críticos; Kassab, de nenhum. Das 19 cartas publicadas, 15 foram contra Marta. Registre-se que o 'Painel do Leitor' recebeu 224 cartas contra ela e 55 a favor. Mas para o ombudsman, a relação foi inversa: 36 pró e 8 contra a ex-prefeita", prosseguiu. E, no desfecho, além de criticar a postura da Folha, ainda esculachou a concorrência: "(...) o jornal abriu mão de fomentar o debate sadio. Ele nunca deveria se prestar ao trabalho sujo que outros veículos fazem com muito prazer e competência."

Pois é: apesar de eu não ser nenhum entusiasta da função de ombudsman (e muito menos da Folha de S.Paulo), ele disse pouco, mas disse tudo. Só que essa - previsível e explícita - fuzilaria contra Marta pode ser um tiro no pé, uma percepção que talvez tenha motivado a bronca de Carlos Silva nos colegas de redação. O povo não é bobo. Vamos pra virada, Marta!

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Editado às 11h30

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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Vamos falar das taxas do Kassab

O sistema tributário brasileiro é injusto, porque em vez de promover distribuição de renda, promove concentração. Quem avalia é Marcio Pochmann, economista da Universidade de Campinas (Unicamp) e presidente do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). Segundo estudo do Ipea, os pobres pagam 44% a mais de imposto do que os ricos. Este é um problema complexo que tem a ver com o alvo da tributação (produção e não renda), o que leva a mordida diretamente para o preço dos produtos.

Mas tem imposto que é diferente, como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), uma das principais fontes de receita municipal. A gestão de Marta como prefeita promoveu uma ampliação de isenções desse imposto para imóveis que valessem até R$ 50 mil à época. Isso quer dizer que 1,2 milhão de pessoas que moram de aluguel ou têm apartamentos pequenos ou em regiões distantes do centro.

Em vez de cobrar 1% de todos como se fazia até então, criou-se uma variação de 0,8% a 1,6%: quem mora num casarão em área nobre, paga mais mesmo, enquanto 72% das residências pagavam menos. E isso ainda trouxe aumento de 9% da receita.

Claro que a medida não torna o sistema tributário correto e justo. Mas caminha na direção da progressividade. Um avanço para a cidade.

Diferença
Na gestão Gilberto Kassab, o primeiro dado instigante: os isentos de IPTU diminuíram em 300 mil. São mais famílias pagando. E pior, a maioria das isenções cassadas, a partir de 2005, são de imóveis cujo proprietário é titular de mais de uma casa ou apartamento. Ou seja, a conta que deveria ser paga por quem tem bens é transferida inteiramente para quem aluga. Afinal, a maior parte dos proprietários de vários imóveis mantém o patrimônio para ganhar na locação. E apesar de haver divergência entre juristas, a prática quase unânime é ver inquilinos arcando com o tributo.

E o aumento? Não foi pouco. Em 2005 foi de 5,5%. No ano seguinte, Kassab bem que tentou, mas não conseguiu aumentar além de 7% (sem teto definido). Depois, em 2007 a média de reajuste foi de 10%. Em 2008, mais 4%. Isso para quem já pagava, porque para quem perdeu a isenção não dá para fazer a conta.

Então tem nada de redução de carga tributária além de discurso.

Taxa do lixo
Um dos pontos mais freqüentes de crítica à gestão petista de 2000 a 2004 é a taxa de lixo, criada, à época, evitar o risco de um "apagão do lixo", em decorrência da falta de investimentos em aterros sanitários. A estratégia da administração atual foi transferir a responsabilidade para a concessionária, o que sempre traz risco, porque no fim, quem responde se faltar lugar para depositar o lixo é a prefeitura. Isso levou o Ministério Público Estadual a pedir um plano de emergência para a situação.

É verdade que até Marta trata como "um erro" ter aplicado a taxa. No último debate essa postura se mostrou mais uma vez insustentável, porque houve motivos para fazer isso à época e ignorar esses fatos é deixar o debate fora da política, no campo dos jargões de "choque de gestão" e afins. Como os aterros sanitários não parecem uma questão resolvida, era um tema a ser explorado. No mínimo, colocado em debate.

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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A Onda anti-Marta, passado e presente

Por Emily Cardoso

Andam dizendo por aí que Marta é preconceituosa (?!). Mas, péraí: não é ela que sobe em caminhão de parada gay, enquanto o atual prefeito não se expõe num evento assim nem amarrado? Que eu saiba, é ela, junto com sua família, que sofrem difamação, desrespeito, humilhações. Atuei nas campanhas anteriores de Marta e constato, hoje, que de lá pra cá, nada mudou. Aliás, piorou.

Enquanto mulher, sei o que é ser xingada nas ruas, quase agredida fisicamente, quando estamos em campanha. E quando nem estamos. "Mulher não serve pra governar ; é pra ficar em casa, cuidando do marido, dos filhos, cozinhando", me falou um indivíduo. "A Marta gosta de gozar !", gritou um infeliz, que certamente não goza e nem "permite" prazer às mulheres. É assim: querem controlar também o prazer da mulher em todos os sentidos, decidir com quem a ex-prefeita deve se relacionar sexual-afetivamente, se com argentino ou brasileiro.

Marta é a nova Geni, "joga pedra nela!" Seu "pecado" foi ter nascido mulher, saído do espaço privado para o público, para o poder político, negado às mulheres. Como ousa, tomar o lugar reservado ao masculino? Quando alguém ofende uma mulher, apela ao moralismo de conteúdo sexual-bíblico, se posso assim dizer, e aí entra o pecado original, a curiosidade de Eva pelo conhecimento. E sobram adjetivos para atingir o gênero feminino: "puta, vagabunda..."

Enquanto lésbica, sei o que é ser discriminada. Nem por isso apelo à vitimização. Não pretendo aqui justificar uma coisa pela outra, da política do olho por olho... Até outro dia, o que se ouvia por aí era o comentário de que Marta defende os gays, ou seja, "argumento fortíssimo" pra não se votar nela. Sendo assim, alguém precisa combinar: defende ou não defende?

"Como pode, aquela vaca, que traiu o marido, se meter na vida do Kassab?", uma mulher tomou as dores. De um dia para o outro, São Paulo deixou a caretice de lado, ficou hipocritamente avançada e agora até apóia homossexuais, ou melhor, gays, uma vez que lésbica, sendo mulher, não existe.

No entanto, depende de quem mereça tamanha defesa. De repente, as pessoas indignam-se com indagações a respeito da vida íntima do prefeito, que posa de vítima e exige desculpas de Marta. Justo ele, que chamou a candidata de mentirosa umas três vezes, no último debate, e ela não teve direito de resposta atendido (ao contrário do prefeito), pelos juristas da TV Bandeirantes. Se Marta fosse lésbica, haveria igual manifestação de solidariedade? Contudo, a solidariedade é masculina (redundância), sempre.

O candidato PFL/DEM significa o retrocesso para a cidade de São Paulo. Kassab mascara a realidade quando convém. Renega seu passado político. O projeto pefelistademo é um só: perpetuar o poder de sua classe, abismo social-econômico, conservadorismo, repressão, discriminação, exclusão.

Em tempo: Kassab vetou o projeto de lei anti-homofobia.

P.S.: Para conhecer a íntegra do Projeto de Lei 440/01, aprovado na Câmara em dezembro de 2006 e vetado na íntegra em fevereiro de 2007, clique aqui.

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